A Cáritas Portuguesa foi criada logo após a II Guerra Mundial e teve como primeira actividade o acolhimento de crianças refugiadas. Logo de início ficou definida uma das suas orientações: a actuação nos problemas de maior gravidade, abrangendo o maior número de pessoas em todo o país.
Até ao presente a instituição conta três fases distintas
1ª Fase: desde a fundação (os primeiros estatutos datam de 1956) até à primeira revisão dos estatutos (1975). Entre os anos 50 e 70 a actividade da Cáritas centrou-se na distribuição de géneros alimentares em vastas zonas do país, doados pelos EUA no âmbito do plano Marshall, e na promoção do acolhimento a crianças vindas do centro da Europa durante a Guerra-fria. Também se realizou um primeiro esforça de atendimento – acolhimento social e de animação local, concretizada esta, particularmente, através da ligação a experiências de desenvolvimento comunitário. Em termos de organização institucional, a 1ª fase foi marcada pela centralização. Só existia a direcção nacional, tendo-se criado a nível diocesano as respectivas comissões. Tratou-se, afinal, de um período com as suas características próprias, mas apontando claramente para o futuro;
2ª Fase: desde 1975 até à segunda revisão estatutária, em 2000. Implementação da promoção social através do apoio à criação de postos de trabalho; criação e funcionamento de equipamentos sociais; formação de agentes; e preparação para a actuação estrutural nos domínios do desenvolvimento local e intervenção junto de centros de decisão política.
3ª Fase:: com a revisão estatutária de 2000 abre-se uma nova etapa na vida da Cáritas, assente na consolidação da autonomia das Cáritas Diocesanas e na promoção da clarificação e actualização dos objectivos da Cáritas no contexto da Igreja e da sociedade portuguesa.
A Cáritas Portuguesa é uma instituição oficial da Conferência Episcopal Portuguesa, para a promoção e dinamização da acção social da Igreja. Visa a assistência, a promoção, o desenvolvimento e a transformação social.
Luta por uma sociedade mais justa, com a participação dos que são atingidos por qualquer forma de pobreza, exclusão social ou emergência, sem olhar a crenças, culturas, etnias ou origem.
A Cáritas, rege-se por estatutos próprios, tem personalidade jurídica, civil e canónica. Integra a Plataforma Portuguesa das ONGDs. Compete à Cáritas Portuguesa a representação nacional e internacional da Cáritas em Portugal. Vincula-se aos princípios da universalidade e da radicalidade em favor dos mais pobres, o que implica: a animação social, a comunhão cristã de bens e a formação. Promove a animação da pastoral social, estimulando a existência de grupos de acção social nas paróquias.
A Cáritas pretende: informar, denunciar e sensibilizar a sociedade, propondo medidas de solução para problemas sociais graves, através de:
- Assistência e apoio nas emergências;
- Promoção da autonomia de cada homem e mulher;
- Processos de desenvolvimento local;
- Intervenção junto dos centros de decisão política;
- Formação de agentes de voluntariado;
- Empenho na conservação do meio ambiente sustentável.
A Cáritas fundamenta a sua actuação no respeito pela dignidade de cada pessoa, no Evangelho e na Doutrina Social da Igreja. A Cáritas em Portugal ou Rede Cáritas - é constituída pelas 20 Cáritas Diocesanas e pelas Cáritas Paroquiais de actuação de proximidade, com a colaboração de profissionais e voluntários. Cada Cáritas Diocesana tem autonomia jurídica e canónica.
A Cáritas Portuguesa integra a Cáritas Europa e é membro da Confederação Mundial - Cáritas Internationalis - que actua em mais de 162 países e territórios através da Rede Mundial Cáritas.
A Cáritas Portuguesa desenvolve projectos direccionados para as organizações sociais e para os seus agentes. Os projectos de intervenção com os mais carenciados são realizados localmente pelas Cáritas Diocesanas e Igreja local. As Cáritas Diocesanas são estruturas regionais, que em conjunto com as Cáritas Paroquiais prestam serviços às populações.
A Rede Cáritas em Portugal trabalha nas seguintes áreas de actuação que passamos a destacar, Atendimento Social, Unidades de intervenção Sócio-caritativa, Creches, Jardins de infância, ATLs, Lares, Centros de Dia, Centros de Convívio, Apoio Domiciliário, Comunidades Terapêuticas, Apartamentos de Reinserção, Roupeiro, Formação e Centros de Acolhimento, Distribuição Alimentar e Centros Locais de Apoio à Integração de Imigrantes - CLAII.